Em resumo: cashback («dinheiro de volta») é receber uma percentagem do que gasta, creditada na conta ou no cartão. Em Portugal aparece em cartões de crédito, que devolvem em regra entre 1 % e 3 % das compras (Santander), quase sempre com um teto mensal: a 10/10/2026, o cartão de crédito UNIBANCO devolve até 20 € por mês, com máximo de 200 € nos primeiros 12 meses e só a novos clientes, e o Cetelem Black Plus 3 % em seis categorias até 10 € por mês. Também existe em cartões de lojas e em apps de compras. A conta a fazer é simples: com 600 € de compras por mês, 1 % são 72 € por ano. E a regra que anula tudo: se não pagar o cartão de crédito na totalidade, os juros comem o cashback várias vezes.
Este artigo faz parte do guia Cartões e cashback. É informativo: não temos ligações pagas para cartões de crédito e não recomendamos nenhum.
O que é o cashback
É um programa em que a entidade que emite o cartão, a loja ou a app devolve uma percentagem das compras que faz. A palavra vem do inglês e quer dizer «dinheiro de volta». A diferença para um desconto é o momento: o desconto baixa o preço na hora; o cashback devolve depois, normalmente uma vez por mês.
Há três formas de o receber:
- Dinheiro na conta ou abatido ao saldo do cartão. É o cashback «clássico».
- Pontos que depois se trocam por vales, produtos ou reembolso de comissões. Alguns bancos trocaram o dinheiro por pontos, como o Santander com o seu programa Rewards.
- Saldo na loja, no caso dos cartões de fidelização: o que recebe só serve para comprar na mesma cadeia.
Como funciona na prática
- Paga com o cartão ou a app aderente. Só contam compras elegíveis; transferências, levantamentos, pagamentos ao Estado e devoluções ficam de fora ou são descontados.
- A entidade calcula a percentagem sobre o total do mês, por categoria ou por patamar de gasto.
- Aplica o teto. Quase todos os programas têm máximo por mês, por ano ou por período (os primeiros 12 meses, por exemplo).
- Credita o valor, em regra no mês seguinte, na conta associada ou no saldo do cartão.
Os tetos são o que mais pesa. Um cashback de 3 % com máximo de 10 € por mês vale 10 € a partir de 333,33 € de compras; gastar mais não rende mais.
Onde há cashback em Portugal
| Onde | Como devolve | O que verificar |
|---|---|---|
| Cartões de crédito de bancos e financeiras | Percentagem das compras, abatida ao saldo do cartão ou creditada na conta | Teto mensal e anual, categorias, duração, TAEG e anuidade |
| Cartões e apps de lojas (supermercados, combustível, moda) | Saldo para gastar na mesma cadeia | Validade do saldo, mínimo para usar |
| Apps e sites de cashback | Percentagem das compras feitas através da app em lojas parceiras | Prazo até receber, mínimo de levantamento, lojas aderentes |
| Programas de corretoras e fintechs | Em vez de dinheiro, a percentagem é investida num plano de poupança | Não é dinheiro disponível; o valor sobe e desce com o mercado |
Para os cartões de crédito, lembre-se do que são: crédito. O cashback é um incentivo a usar mais o cartão. Só compensa para quem paga a fatura por inteiro todos os meses.
Dois programas lidos a 10 de outubro de 2026
Escolhemos dois exemplos públicos, com as condições na página da entidade. Não são recomendações e as campanhas mudam.
| Cartão | Cashback | Teto | Condições principais |
|---|---|---|---|
| Cartão de crédito UNIBANCO | 5 €, 10 € ou 20 € por mês, conforme as compras do mês (100–299 €, 300–499 € ou 500 € e mais) | 20 €/mês; «até €200 de volta» nos primeiros 12 meses | Novos clientes sem cartão UNIBANCO nos últimos 24 meses; registo na app em 2 meses; TAEG 18,5 % |
| Cetelem Black Plus | 3 % em supermercados, restaurantes, gasolineiras, carregamento elétrico, TVDE e streaming | 10 €/mês, 120 €/ano | Sem anuidade; creditado na conta cartão e abatido ao saldo; «não aplicável em caso de incumprimento» |
Repare nos dois modelos: a UNIBANCO paga um valor fixo por patamar de gasto (20 € em 500 € são 4 %, mas 20 € em 1 500 € são 1,3 %); a Cetelem paga 3 % só em categorias, até 10 €. Nenhum dos dois devolve «3 % de tudo».
Quanto vale, com contas
Exemplo (hipotético): o Miguel, em Setúbal, gasta 600 € por mês em compras do dia a dia, 400 € deles em supermercado, restaurantes e combustível.
| Programa | Conta | Por ano |
|---|---|---|
| 1 % de todas as compras, sem teto | 600 € × 1 % = 6 € por mês | 72 € |
| 3 % nas categorias, máximo 10 €/mês | 400 € × 3 % = 12 €, cortado para 10 € | 120 € |
| 20 €/mês por gastar 500 € ou mais, 12 meses, teto de 200 € | 20 € × 12 = 240 €, cortado para 200 € | 200 € no 1.º ano |
| Programa de pontos, 1 ponto por 2 € | 300 pontos por mês | Depende do valor de troca |
Agora o outro lado. Se o Miguel deixar 600 € por pagar no cartão de crédito durante um ano, com uma TAEG de 18,5 % paga cerca de 111 € de juros: mais do que os 72 € do primeiro programa e quase tanto como os 120 € do segundo. Se pagar sempre a totalidade, o cashback é ganho limpo; se não pagar, é um desconto nos juros, e mau.
A armadilha e cinco perguntas antes de aderir
O cashback leva a gastar mais para «aproveitar». 3 % de uma compra que não ia fazer é 97 % de dinheiro gasto. As perguntas a fazer antes de aderir:
- Qual é o teto por mês e por ano, e durante quanto tempo (há programas só para os primeiros 12 meses)?
- Em que compras conta: tudo, só categorias, só lojas parceiras?
- Quanto custa o cartão: anuidade, comissão de disponibilização, seguro obrigatório?
- Se for crédito, qual é a TAEG e o que acontece ao cashback se falhar um pagamento? (Na Cetelem, por exemplo, deixa de se aplicar em caso de incumprimento.)
- É dinheiro ou pontos? Pontos valem o que a entidade decidir e podem caducar.
Para quem só quer pagar menos pelo banco, há um caminho mais certo do que o cashback: uma conta sem comissões e um cartão de débito sem custo, sem juros de permeio.
Perguntas frequentes
O que é cashback?
É receber de volta uma percentagem do que gastou, em dinheiro, saldo ou pontos, depois da compra. Em Portugal, os cartões de crédito com cashback devolvem em regra entre 1 % e 3 %, com tetos mensais.
O cashback é dinheiro de verdade?
Depende do programa. Nos cartões de crédito costuma ser abatido ao saldo do cartão ou creditado na conta. Nas lojas é saldo para gastar na mesma cadeia. Nos programas de pontos vale o que a troca permitir.
Cashback é bom negócio?
Só para quem já faria aquelas compras e, no caso dos cartões de crédito, paga a fatura por inteiro todos os meses. Com 600 € de compras mensais, 1 % são 72 € por ano; um saldo de 600 € por pagar a 18,5 % de TAEG custa cerca de 111 €.
Os cartões de débito têm cashback?
Alguns bancos e fintechs têm programas ligados ao cartão de débito ou à app, por vezes só em lojas parceiras ou com planos pagos. Não verificámos nenhum nesta revisão; quando houver condições lidas na página da entidade, acrescentamos à tabela.
O cashback paga IRS?
Não encontrámos nas fontes consultadas uma regra específica para o cashback de cartões; funciona como um desconto sobre compras, não como um juro. Em caso de dúvida sobre a sua situação, a Autoridade Tributária ou um contabilista são quem pode responder.
Ver também: Política editorial · Cartões e cashback · Conta sem comissões
Fontes verificadas
| Número / facto | Fonte | Verificado em |
|---|---|---|
| Cashback «varia entre 1% e 3%»; alternativa em pontos (Santander Rewards); crédito na conta associada ou uso em parceiros; cartões de lojas acumulam saldo na própria loja | Santander, «O que é o cashback e como funciona?», atualizado a 09/03/2026 | 2026-10-10 |
| UNIBANCO: «até €200 de volta nas compras realizadas durante os primeiros 12 meses»; 20 € (≥ 500 €), 10 € (300–499 €), 5 € (100–299 €) por mês; novos clientes sem cartão nos últimos 24 meses; registo na app em 2 meses; TAEG 18,5 %; exclusões (transferências, carregamentos, juros, pagamentos ao Estado) e devoluções deduzidas | unibanco.pt — Cartão de crédito (texto renderizado) | 2026-10-10 |
| Cetelem Black Plus: «Recebe de volta 3% do que gasta» em supermercados, restaurantes, gasolineiras, carregamento elétrico, TVDE e streaming; «até 120€/ano, máx. 10€/mês»; sem anuidade; creditado na conta cartão; «Cashback não aplicável em caso de incumprimento» | cetelem.pt — Cartão de crédito Black | 2026-10-10 |
| Exemplo do Miguel (72 €, 120 €, 200 €, 111 € de juros) e os 333,33 € do teto | Cálculo nosso com valores hipotéticos; os 111 € são 18,5 % de 600 €, uma aproximação para um saldo constante | 2026-10-10 |
Notas de verificação: a página do Santander é um artigo educativo do banco, não uma ficha de produto; usámo-la para a definição e os intervalos habituais. Não lemos nesta revisão as condições de programas de cashback em cartões de débito, apps de cashback ou corretoras, por isso a tabela «Onde há cashback» descreve os modelos sem nomear produtos. O Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal estava bloqueado ao browser automático a 10/10.