Cashback: o que é e como funciona em Portugal (2026)

Cashback é receber de volta parte do que gasta, em regra 1 % a 3 %, com tetos mensais. Como funciona em cartões, lojas e apps, e a armadilha dos juros.

Atualizado em
Leitura de 8 min

Em resumo: cashback («dinheiro de volta») é receber uma percentagem do que gasta, creditada na conta ou no cartão. Em Portugal aparece em cartões de crédito, que devolvem em regra entre 1 % e 3 % das compras (Santander), quase sempre com um teto mensal: a 10/10/2026, o cartão de crédito UNIBANCO devolve até 20 € por mês, com máximo de 200 € nos primeiros 12 meses e só a novos clientes, e o Cetelem Black Plus 3 % em seis categorias até 10 € por mês. Também existe em cartões de lojas e em apps de compras. A conta a fazer é simples: com 600 € de compras por mês, 1 % são 72 € por ano. E a regra que anula tudo: se não pagar o cartão de crédito na totalidade, os juros comem o cashback várias vezes.

Este artigo faz parte do guia Cartões e cashback. É informativo: não temos ligações pagas para cartões de crédito e não recomendamos nenhum.

O que é o cashback

É um programa em que a entidade que emite o cartão, a loja ou a app devolve uma percentagem das compras que faz. A palavra vem do inglês e quer dizer «dinheiro de volta». A diferença para um desconto é o momento: o desconto baixa o preço na hora; o cashback devolve depois, normalmente uma vez por mês.

Há três formas de o receber:

  • Dinheiro na conta ou abatido ao saldo do cartão. É o cashback «clássico».
  • Pontos que depois se trocam por vales, produtos ou reembolso de comissões. Alguns bancos trocaram o dinheiro por pontos, como o Santander com o seu programa Rewards.
  • Saldo na loja, no caso dos cartões de fidelização: o que recebe só serve para comprar na mesma cadeia.

Como funciona na prática

  1. Paga com o cartão ou a app aderente. Só contam compras elegíveis; transferências, levantamentos, pagamentos ao Estado e devoluções ficam de fora ou são descontados.
  2. A entidade calcula a percentagem sobre o total do mês, por categoria ou por patamar de gasto.
  3. Aplica o teto. Quase todos os programas têm máximo por mês, por ano ou por período (os primeiros 12 meses, por exemplo).
  4. Credita o valor, em regra no mês seguinte, na conta associada ou no saldo do cartão.

Os tetos são o que mais pesa. Um cashback de 3 % com máximo de 10 € por mês vale 10 € a partir de 333,33 € de compras; gastar mais não rende mais.

Onde há cashback em Portugal

OndeComo devolveO que verificar
Cartões de crédito de bancos e financeirasPercentagem das compras, abatida ao saldo do cartão ou creditada na contaTeto mensal e anual, categorias, duração, TAEG e anuidade
Cartões e apps de lojas (supermercados, combustível, moda)Saldo para gastar na mesma cadeiaValidade do saldo, mínimo para usar
Apps e sites de cashbackPercentagem das compras feitas através da app em lojas parceirasPrazo até receber, mínimo de levantamento, lojas aderentes
Programas de corretoras e fintechsEm vez de dinheiro, a percentagem é investida num plano de poupançaNão é dinheiro disponível; o valor sobe e desce com o mercado

Para os cartões de crédito, lembre-se do que são: crédito. O cashback é um incentivo a usar mais o cartão. Só compensa para quem paga a fatura por inteiro todos os meses.

Dois programas lidos a 10 de outubro de 2026

Escolhemos dois exemplos públicos, com as condições na página da entidade. Não são recomendações e as campanhas mudam.

CartãoCashbackTetoCondições principais
Cartão de crédito UNIBANCO5 €, 10 € ou 20 € por mês, conforme as compras do mês (100–299 €, 300–499 € ou 500 € e mais)20 €/mês; «até €200 de volta» nos primeiros 12 mesesNovos clientes sem cartão UNIBANCO nos últimos 24 meses; registo na app em 2 meses; TAEG 18,5 %
Cetelem Black Plus3 % em supermercados, restaurantes, gasolineiras, carregamento elétrico, TVDE e streaming10 €/mês, 120 €/anoSem anuidade; creditado na conta cartão e abatido ao saldo; «não aplicável em caso de incumprimento»

Repare nos dois modelos: a UNIBANCO paga um valor fixo por patamar de gasto (20 € em 500 € são 4 %, mas 20 € em 1 500 € são 1,3 %); a Cetelem paga 3 % só em categorias, até 10 €. Nenhum dos dois devolve «3 % de tudo».

Quanto vale, com contas

Exemplo (hipotético): o Miguel, em Setúbal, gasta 600 € por mês em compras do dia a dia, 400 € deles em supermercado, restaurantes e combustível.

ProgramaContaPor ano
1 % de todas as compras, sem teto600 € × 1 % = 6 € por mês72 €
3 % nas categorias, máximo 10 €/mês400 € × 3 % = 12 €, cortado para 10 €120 €
20 €/mês por gastar 500 € ou mais, 12 meses, teto de 200 €20 € × 12 = 240 €, cortado para 200 €200 € no 1.º ano
Programa de pontos, 1 ponto por 2 €300 pontos por mêsDepende do valor de troca

Agora o outro lado. Se o Miguel deixar 600 € por pagar no cartão de crédito durante um ano, com uma TAEG de 18,5 % paga cerca de 111 € de juros: mais do que os 72 € do primeiro programa e quase tanto como os 120 € do segundo. Se pagar sempre a totalidade, o cashback é ganho limpo; se não pagar, é um desconto nos juros, e mau.

A armadilha e cinco perguntas antes de aderir

O cashback leva a gastar mais para «aproveitar». 3 % de uma compra que não ia fazer é 97 % de dinheiro gasto. As perguntas a fazer antes de aderir:

  1. Qual é o teto por mês e por ano, e durante quanto tempo (há programas só para os primeiros 12 meses)?
  2. Em que compras conta: tudo, só categorias, só lojas parceiras?
  3. Quanto custa o cartão: anuidade, comissão de disponibilização, seguro obrigatório?
  4. Se for crédito, qual é a TAEG e o que acontece ao cashback se falhar um pagamento? (Na Cetelem, por exemplo, deixa de se aplicar em caso de incumprimento.)
  5. É dinheiro ou pontos? Pontos valem o que a entidade decidir e podem caducar.

Para quem só quer pagar menos pelo banco, há um caminho mais certo do que o cashback: uma conta sem comissões e um cartão de débito sem custo, sem juros de permeio.

Perguntas frequentes

O que é cashback?

É receber de volta uma percentagem do que gastou, em dinheiro, saldo ou pontos, depois da compra. Em Portugal, os cartões de crédito com cashback devolvem em regra entre 1 % e 3 %, com tetos mensais.

O cashback é dinheiro de verdade?

Depende do programa. Nos cartões de crédito costuma ser abatido ao saldo do cartão ou creditado na conta. Nas lojas é saldo para gastar na mesma cadeia. Nos programas de pontos vale o que a troca permitir.

Cashback é bom negócio?

Só para quem já faria aquelas compras e, no caso dos cartões de crédito, paga a fatura por inteiro todos os meses. Com 600 € de compras mensais, 1 % são 72 € por ano; um saldo de 600 € por pagar a 18,5 % de TAEG custa cerca de 111 €.

Os cartões de débito têm cashback?

Alguns bancos e fintechs têm programas ligados ao cartão de débito ou à app, por vezes só em lojas parceiras ou com planos pagos. Não verificámos nenhum nesta revisão; quando houver condições lidas na página da entidade, acrescentamos à tabela.

O cashback paga IRS?

Não encontrámos nas fontes consultadas uma regra específica para o cashback de cartões; funciona como um desconto sobre compras, não como um juro. Em caso de dúvida sobre a sua situação, a Autoridade Tributária ou um contabilista são quem pode responder.


Ver também: Política editorial · Cartões e cashback · Conta sem comissões

Fontes verificadas

Número / factoFonteVerificado em
Cashback «varia entre 1% e 3%»; alternativa em pontos (Santander Rewards); crédito na conta associada ou uso em parceiros; cartões de lojas acumulam saldo na própria lojaSantander, «O que é o cashback e como funciona?», atualizado a 09/03/20262026-10-10
UNIBANCO: «até €200 de volta nas compras realizadas durante os primeiros 12 meses»; 20 € (≥ 500 €), 10 € (300–499 €), 5 € (100–299 €) por mês; novos clientes sem cartão nos últimos 24 meses; registo na app em 2 meses; TAEG 18,5 %; exclusões (transferências, carregamentos, juros, pagamentos ao Estado) e devoluções deduzidasunibanco.pt — Cartão de crédito (texto renderizado)2026-10-10
Cetelem Black Plus: «Recebe de volta 3% do que gasta» em supermercados, restaurantes, gasolineiras, carregamento elétrico, TVDE e streaming; «até 120€/ano, máx. 10€/mês»; sem anuidade; creditado na conta cartão; «Cashback não aplicável em caso de incumprimento»cetelem.pt — Cartão de crédito Black2026-10-10
Exemplo do Miguel (72 €, 120 €, 200 €, 111 € de juros) e os 333,33 € do tetoCálculo nosso com valores hipotéticos; os 111 € são 18,5 % de 600 €, uma aproximação para um saldo constante2026-10-10

Notas de verificação: a página do Santander é um artigo educativo do banco, não uma ficha de produto; usámo-la para a definição e os intervalos habituais. Não lemos nesta revisão as condições de programas de cashback em cartões de débito, apps de cashback ou corretoras, por isso a tabela «Onde há cashback» descreve os modelos sem nomear produtos. O Portal do Cliente Bancário do Banco de Portugal estava bloqueado ao browser automático a 10/10.

Faça a conta

Calculadora de cashback: quanto recebe por ano